É inacreditável que me pleno século XXI ainda vivemos em uma nação (Brasil) com um tabu que em outros países já foi desmistificado há muito tempo: o aborto. A maternidade compulsória é mesmo o melhor caminho? Tirar a autonomia das mulheres e ainda marginalizá-las pela prática do aborto é a melhor escolha?
Inicialmente, para responder essas perguntas é proeminente desfazer estigmas, no que tange a afirmações que o número de abortos aumentaria se fosse legalizado. Dados de pesquisas em países que já libertaram a pratica estão aí para provar o contrário, não houve aumento, mas sim uma redução, logo uma vez que o aborto se torna um direito e não é mais um crime, a paciente tem acompanhamento de assistentes sociais, psicólogos e outros médicos; além de ter havido uma incrível redução no número de mortes devido a abortos, que por sua vez são seguros, políticas públicas, feitos por profissionais competentes da área da saúde e não em clínicas clandestinas desestruturadas.
No entanto, abrir o debate sobre abortar ou não abortar deveria já ser obsoleto, em visto que as mulheres já abortam de qualquer forma, clandestinamente, pondo em risco suas vidas. Deveríamos salientar se vamos prendê-las ou não por isso. Então, entramos no debate da maternidade compulsória, da autonomia do sujeito e da marginalização do aborto, que por sua vez, no Brasil, o fundamentalismo religioso é uma barreira para a aprovação dá prática, graças ao fundamentalismo religioso no Senado que insiste em esquecer que o Estado é laico, fazendo essa tal laicidade de uma utopia, jamais lograda plenamente.
Ora, logo que a maternidade se torna compulsória, seja uma gestação em qualquer circunstância, estamos retirando e negando a autonomia da mulher, a sua liberdade e emancipação. Obrigar uma mulher a ser mãe nunca será o melhor caminho, maternidade deve ser uma escolha, no entanto conservadores e fundamentalistas religiosos esquecessem disso, maternidade e gestação não são a mesma coisa, nunca serão e impor algo assim pode ser destruidor, tanto para a mulher que foi obrigada a ter o filho, tanto quanto para o bebê que nascerá, uma vez que a mulher que lhe deu à luz não escolheu tal maternidade.

